Diabetes
O diagnóstico de diabetes.
O diabetes é atualmente considerado uma epidemia global. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), mais de 530 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo, sendo que o Brasil tem cerca de 20 milhões de casos, ocupando o 6º lugar global. Na China, são cerca de 140 milhões de casos, enquanto na Índia há 101 milhões e nos Estados Unidos 37 milhões. O sedentarismo, a obesidade e dietas inadequadas são fatores chave para o aumento da incidência global.
O diabetes tipo 2, uma condição crônica complexa geralmente diagnosticada na maturidade, afeta 16% dos brasileiros entre 55 e 64 anos e quase 20% dos com mais de 65 anos. Suas fases iniciais são silenciosas, o que frequentemente permite que complicações graves surjam antes do diagnóstico. Entre as consequências mais comuns estão perda de visão devido à retinopatia, insuficiência renal, obstruções arteriais periféricas, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, destacando a importância do diagnóstico precoce e da prevenção.
O risco de complicações relacionadas ao diabetes pode ser significativamente reduzido com o controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue. No entanto, para que isso seja possível, é essencial um diagnóstico precoce. Antes de o diabetes ser confirmado, há uma fase longa e silenciosa conhecida como pré-diabetes. Essa condição é marcada por elevações discretas na glicemia e pela resistência à insulina, que ocorre quando as células do organismo não utilizam eficientemente a insulina produzida pelo pâncreas. Identificar e tratar o pré-diabetes a tempo pode prevenir ou retardar o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e suas complicações.
Os especialistas calculam que para cada pessoa com diabetes já instalado, existam pelo menos três com pré-diabetes. Por essa estimativa haveria 36 milhões de brasileiros nessa fase. Identificá-los é fundamental para recomendar-lhes que pratiquem atividade física, reduzam consumo de carboidratos, gorduras e percam peso.
De acordo com os critérios estabelecidos pela OMS antes de 1997, o diagnóstico de diabetes era feito quanto a glicemia colhida pela manhã em jejum, estivesse igual ou acima de 140 mg/dL. Ou quando a glicemia igualava ou ultrapassava 200mg/ML, duas horas depois da administração de 75 gramas de glicose por via oral.
O que é diabetes, como ocorre, como se manifesta e quais são os principais sintomas?
Em 1997, o limiar para glicemia de jejum foi reduzido para 126 mg/dL, decisão baseada na evidência de que, acima desse nível, os vasos da retina já podem ser comprometidos. O diagnóstico de diabetes deve ser confirmado por meio da repetição do teste em outro dia. Também são considerados portadores de diabetes indivíduos com glicemia igual ou superior a 200 mg/dL em qualquer momento do dia, independentemente do horário das refeições. Nessa situação, não é necessária uma segunda confirmação. Para identificar pessoas com maior risco de desenvolver diabetes, níveis de glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dL são classificados como indicativos de pré-diabetes, uma condição que exige atenção e acompanhamento para prevenir o agravamento da doença.
Estudos indicam que 5% a 10% dos pré-diabéticos tornam-se diabéticos a cada ano, com um risco até 10 vezes maior em comparação às pessoas com glicemia de jejum normal.
Desde 2009, o exame de hemoglobina glicada tem sido recomendado como complemento para o diagnóstico. Esse teste avalia os níveis médios de glicose no sangue nos últimos 2 a 3 meses, dispensando o jejum e evitando as variações diárias da glicemia.
Critérios diagnósticos:
- Diabetes: hemoglobina glicada ≥ 6,5% (associada a maior risco de retinopatia).
- Pré-diabetes: hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%.
- Valores normais: hemoglobina glicada < 5,7% e glicemia de jejum < 100 mg/dL.
Recomendações:
- Pré-diabetes: valores intermediários exigem mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicamentos.
- Diabetes: requer medicação, exercícios físicos regulares, alimentação controlada e acompanhamento médico constante.